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Ana Liési fala sobre o não reconhecimento paterno no Brasil
Publicada em: 05/11/2009
Autor: Janaína Vieira, da TV SUPREN
Acessos: 318
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Em Nome da Mãe”, de autoria de Liési
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Duas em cada três crianças brasileiras nascem fora do casamento, somente uma em cada três é fruto de relações matrimonializadas, é o que explica a Doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília, com estudos publicados no Brasil e no exterior, Ana Liési Thurler
Em entrevista ao programa Papo Supren, da União Planetária, a escritora e socióloga Ana Liési Thurler conversou com Ulisses Riedel, presidente da TV SUPREN e apresentador do programa, sobre o não reconhecimento paterno, tema-chave do livro “Em Nome da Mãe”, de autoria de Liési. Segundo a socióloga, apenas uma em cada três crianças brasileiras provêm de relações matrimonializadas. A autora analisa a herança das relações coloniais e patriarcais ainda existentes no país. “O não reconhecimento paterno contemporâneo, ainda em torno de 20% anualmente, significa um Brasil colonial sobrevivendo no século 21”, diz Liési.
Ainda sobre a herança das relações coloniais, Liési explica que mesmo com a Independência o Brasil não virou a página cultural automaticamente. A cultura persiste. Segundo ela, as transformações culturais vão acontecer na medida em que as pessoas ampliarem a consciência e optarem por promover transformações culturais. “Não podemos preservar as desigualdades entre as nossas crianças. Para construir uma sociedade mais solidária e um Brasil mais solidário, a universalização do reconhecimento paterno é fundamental”, ressalta a socióloga.
O não reconhecimento paterno
Segundo a autora, o não reconhecimento paterno significa a persistência de hierarquias entre as crianças nascidas no casamento e fora de relações matrimonializadas e entre as mães casadas e as mães solteiras.
Apesar da Lei 8560/92, de 29 de dezembro de 1992, que torna o reconhecimento paterno obrigatório e irrevogável, a falta de conhecimento e recursos podem ser uma das causas da ausência do nome paterno em um grande número de crianças nascidas no Brasil. Outro grande causador, segundo a socióloga, é a presença de fortes marcas do sexismo ainda presentes na sociedade brasileira, que permitem que o homem se exima da responsabilidade de assumir e criar seus filhos.
Constituição
A Socióloga fala ainda sobre o avanço na Constituição. “A Constituição de 1988 fez um progresso. Ela eliminou designações discriminatórias. Não se pode mais falar em filhos com adjetivos. Filho é filho”, diz.
Mesmo com tantos avanços, Liési lamenta que a Constituição fale apenas em designações. Segundo ela, era preciso ter explicitado tudo, todas as práticas discriminatórias. “Ao termos ainda mais de 700 mil crianças por ano que ficam sem reconhecimento paterno, nós estamos permitindo práticas discriminatórias. E à medida que a sociedade não fala sobre isso, está cúmplice dessas práticas”, diz Liési Thuler.
Assista a entrevista na íntegra pela TV SUPREN.
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